Antes de entender a relação da endometriose com a infertilidade (e o que você pode fazer se quiser engravidar após diagnóstico da doença) queremos ter certeza de que você sabe o que é endometriose e quais as mudanças que esta doença traz no seu corpo.
A endometriose é bastante comum, principalmente entre mulheres de 30 a 40 anos.1,2 Ela ocorre quando o tecido que deveria se formar dentro do útero cresce fora dele – por exemplo nos ovários, nas trompas, atrás do útero ou até mesmo na bexiga e em outros órgãos.3 Esse tecido que cresce e se acumula no lugar errado pode causar reações inflamatórias, sangrar e formar cicatrizes, além de provocar dores intensas e infertilidade em algumas mulheres.3
O diagnóstico precoce da endometriose é um passo importantíssimo para minimizar as chances de que a doença afete a capacidade reprodutiva das mulheres. Apesar disso, muitas pacientes não manifestam sintomas e não são diagnosticadas até que tenham alguma dificuldade para engravidar.3 Hoje não há cura para a endometriose, mas existem diferentes opções para tratar as dores e a infertilidade resultantes da doença.4

Embora ainda não se entenda completamente, a relação entre a endometriose e a infertilidade é grande. De 25% a 50% das mulheres inférteis têm endometriose, e de 30% a 50% das mulheres com endometriose são inférteis.5 Mas vale lembrar que já há tratamento para combater isso!4



Tratamento da infertilidade causado pela endometriose

A infertilidade causada pela endometriose é tratada de forma bastante individual, ou seja, o médico que acompanha a paciente considera uma série de fatores antes de determinar qual o melhor caminho a seguir. A idade da mulher e seu desejo de engravidar e a intensidade dos sintomas, por exemplo, são alguns pontos a serem considerados.4 O que é comum em todos os casos é que a endometriose deve ser encarada como uma condição crônica e seu tratamento pensado e administrado ao longo da vida.5

Dessa forma, suas expectativas de vida devem ficar claras para sua equipe médica, pois isso ajudará que eles planejem o melhor tratamento para você, considerando seus planos e eventualmente o desejo de uma gravidez, seja imediato ou no futuro.

Entre as possibilidades de tratamento para a endometriose está o tratamento cirúrgico (por exemplo laparoscopia) combinado com terapias pré e/ou pós-cirúrgicas para supressão hormonal. Embora possa ser mais efetivo no combate à dor do que a cirurgia apenas, não há evidências científicas de que este tipo de tratamento possa ter um benefício significativo em combater a infertilidade.5 É preciso saber, também, que os hormônios que inibem a ovulação podem atrasar uma gravidez.4

Então, para quem tem endometriose e quer engravidar, o tratamento com a fertilização in vitro (FIV) pode ser o melhor caminho a seguir, seja depois da falha de outras terapias ou como primeira opção de tratamento (antes de qualquer tentativa de tratamento cirúrgico).5 Isso poderia evitar um atraso desnecessário no combate a infertilidade das mulheres com endometriose que sonham com a gravidez.5 Ao contrário dos hormônios que citamos acima que suprimem a ovulação, os hormônios usados como parte do tratamento da FIV estimulam a função ovariana.4

Há ainda outros aspectos que você e sua equipe médica devem considerar nas decisões sobre o tratamento, já que a realização de múltiplas cirurgias, especialmente aquelas para retirar cistos dos ovários, podem reduzir a função ovariana e dificultar o sucesso de uma futura fertilização in vitro.4

Por fim, antes mesmo de começar o tratamento é preciso ter uma conversa bem honesta com os médicos envolvidos no seu tratamento para entender as taxas de sucesso de uma FIV ou de qualquer outra opção terapêutica a ser seguida. Isso poderá te ajudar a lidar melhor com todo o processo do tratamento da infertilidade, que pode (ou não) ser longo.

A endometriose pode trazer um impacto profundo na qualidade de vida das mulheres5 e, por isso, médicos e cientistas do mundo todo buscam entender as melhores formas de diminuir as dores e melhorar a fertilidade das pacientes. Isso deverá resultar em melhores técnicas e maiores chances de gravidez para as mulheres com a doença!


Referências

  1. NICHD. Endometriosis. Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/endometri/Pages/default.aspx. Acesso em 28/12/2017 às 23:14.http://www.oncoguia.org.br/conteudo/fertilidade-em-pacientes-com-cancer-de-testiculo/8751/247/. Acesso em 20/11/2017 às 11:05.
  2. NICHD. How many people are affected by or at risk for endometriosis? Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/endometri/conditioninfo/Pages/a t-risk.aspx#increase. Acesso em 28/12/2017 às 23:12.
  3. NICHD. About Endometriosis. Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/endometri/conditioninfo/Pages/default.aspx. Acesso em 28/12/2017 às 23:15.
  4. NICHD. What are the treatments for endometriosis? Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/endometri/conditioninfo/Pages/treatment.aspx#relatedto. Acesso em 28/12/2017 às 23:05.
  5. Bulletti C, Coccia ME, Battistoni S, Borini A. Endometriosis and infertility. Journal of Assisted Reproduction and Genetics. 2010;27(8):441-447. doi:10.1007/s10815-010-9436-1.

Então vamos lá ao nosso passo a passo da gravidez com endometriose!

Tenha uma conversa aberta com seu médico:

Antes mesmo de começar seu tratamento para a endometriose seu médico precisa saber quais são seus planos para o futuro. Você quer ser mãe? Quando idealmente? Ainda não sabe, mas quer deixar essa possibilidade viva? Enfim, todas essas informações são essenciais para que o médico possa pensar no seu tratamento no curto e médio prazos, optando por terapias e/ou cirurgias que não atrasem ou te impeçam de ser mãe, caso queira. Alguns hormônios usados no tratamento da endometriose podem inibir a ovulação, atrasando uma gravidez, e determinadas cirurgias podem diminuir as chances de sucesso de uma futura fertilização in vitro, por exemplo.3 Então, o melhor a fazer é não adiar essa conversa super sincera!

Conheça as opções de tratamento e tenha um papel ativo na sua saúde:

tratamento da endometriose não é o mesmo para todas as mulheres. Há uma série de fatores a serem considerados, como sua idade e vontade de engravidar.3 Conheça suas opções e participe ativamente do seu tratamento. Entenda o papel das terapias e cirurgias que estão sendo propostas e conheça os possíveis efeitos colaterais delas. Além disso, tenha em mente que não há evidências científicas de que a realização de cirurgias antes do tratamento com fertilização in vitro (FIV) pode aumentar suas chances de engravidar.4

Pense na sua fertilidade agora e amanhã:

A endometriose ainda não tem cura, mas já é possível tratar a infertilidade decorrente dela.3 Mesmo que você agora nem saiba se quer ser mãe, pense no tratamento da endometriose olhando também para o futuro, para que você tenha a liberdade de decidir (ou de mudar de escolha sobre ser mãe) ao longo dos anos. A sua idade também é um fator decisivo para o sucesso de tratamentos como a fertilização in vitro.6 Avalie com seu médico se o congelamento de óvulos pode ser uma boa opção para você.

Entenda como funciona a fertilização in vitro (FIV):

A fertilização in vitro pode ser o melhor caminho para muitas mulheres com endometriose que querem ser mães.3 Por isso, conhecer cada etapa da FIV e suas chances de engravidar a cada ciclo é importante, pois te ajuda a manter-se firme no tratamento. E não tenha vergonha de fazer qualquer pergunta para a equipe médica. Quanto mais informação, melhor!

Busque apoio emocional:

O diagnóstico da endometriose por si só pode abalar sua qualidade de vida, especialmente se você tiver que lidar com as dores intensas que podem ser provocadas pela doença.5

Quando somamos isso com as possíveis dificuldades para engravidar e os desafios do tratamento com a fertilização in vitro, pode ficar muito pesado lidar com tudo isso sozinha (ainda que você tenha bastante apoio da família e dos amigos).

Por isso, busque e aceite ajuda profissional de um psicólogo6, por exemplo, para passar por essa fase mais forte e consciente de suas escolhas! Seu médico pode recomendar alguns profissionais caso você não saiba onde encontrar um.


Referências

  1. Bulletti C, Coccia ME, Battistoni S, Borini A. Endometriosis and infertility. Journal of Assisted Reproduction and Genetics. 2010;27(8):441-447. doi:10.1007/s10815-010-9436-1.
  2. NICHD. About Endometriosis. Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/endometri/conditioninfo/Pages/defa ult.aspx. Acesso em 29/12/2017 às 14:39.
  3. NICHD. What are the treatments for endometriosis? Disponível emhttps://www.nichd.nih.gov/health/topics/endometri/conditioninfo/Pages/treat ment.aspx. Acesso em 29/12/2017 às 16:17.
  4. K. Young, J. Fisher, M. Kirkman; Endometriosis and fertility: women's accounts of healthcare, Human Reproduction, Volume 31, Issue 3, 1 March 2016, Pages 554–562.
  5. Wang J, Sauer MV. In vitro fertilization (IVF): a review of 3 decades of clinical innovation and technological advancement. Therapeutics and Clinical Risk Management. 2006;2(4):355-364.Wang J, Sauer MV. In vitro fertilization (IVF): a review of 3 decades of clinical innovation and technological advancement. Therapeutics and Clinical Risk Management. 2006;2(4):355-364.
  6. Federica Facchin et al. Impact of endometriosis on quality of life and mental health: pelvic pain makes the difference. Journal of Psychosomatic Obstetrics & Gynecology. Volume 36, 2015 - Issue 4.
Quando é hora de procurar um especialista? O que causa a infertilidade?
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QUANDO E QUAL MÉDICO PROCURAR?

Dra. Márcia: A maioria dos casais fica na dúvida sobre quando começar a se preocupar com sua fertilidade. Infelizmente, não há nenhum método disponível capaz de “medir” adequadamente a fertilidade humana. Alguns fatores, entretanto, servem de alerta, como a idade da mulher acima de 35 anos, ciclos menstruais irregulares, história de endometriose ou alterações no espermograma, uso de medicamentos que podem interferir na fertilidade (como os quimioterápicos) e mais de dois abortos.
A abordagem inicial do casal inclui investigação da função ovulatória, das trompas e do útero assim como um espermograma. A avaliação deve ser individualizada levando em consideração a idade da mulher, há quanto tempo estão tentando engravidar e a opinião do casal.
O especialista em infertilidade deve informar ao casal sobre as modalidades de tratamento existentes e seus respectivos benefícios, custos e riscos.
Independente do tratamento indicado, as taxas de gravidez dependem de inúmeros fatores (tipo de medicação utilizada, resposta ao tratamento, presença de fatores associados), sendo a idade da mulher o principal.

Qual sua orientação para quem deseja adiar a gravidez?

Dra. Márcia: O adiamento da maternidade é uma realidade mundial. Dados recentes do IBGE revelam que cresceu no Brasil o número de mulheres que engravidam após os 40 anos, reflexo das transformações sociais e econômicas e do avanço feminino no mercado de trabalho. Infelizmente tais avanços esbarram no inexorável envelhecimento reprodutivo feminino. As mulheres nascem com um número fixo e não-renovável de óvulos.
A quantidade de folículos que há no ovário, em determinado momento, é denominada de reserva ovariana, e seu conhecimento é importante para avaliar a possível chance de sucesso em tratamentos de reprodução assistida (inseminação ou fertilização in vitro - FIV), porque o sucesso do procedimento depende, até certo ponto, da reserva ovariana da mulher que, por sua vez, piora com o aumento da idade.

Quais as principais causas de infertilidade?

Dra. Márcia: Os fatores responsáveis pela infertilidade podem ser masculinos e femininos. É importante ressaltar que, independente do fator causal, a abordagem sempre visa o casal. Em geral, as causas femininas e masculinas respondem por 30% cada, 20% ambos têm alterações e em até 15% não há uma causa aparente. Alterações das tubas uterinas secundárias a infecções, distúrbios ovulatórios e a endometriose estão entre as principais causas de infertilidade em mulheres.
A infertilidade masculina, por sua vez, está relacionada a alterações nos espermatozoides e situações que obstruam a passagem e eliminação deles no sêmen.

Qual a relacão da endometriose com a infertilidade?

Dra. Márcia: A endometriose é uma doença benigna caracterizada pela presença do endométrio (revestimento do útero) em outras regiões do organismo da mulher, como ovários, tubas uterinas, intestinos, bexiga e, até mesmo, pulmões. A doença atinge de 5% a 10% das mulheres durante o período reprodutivo. Trata-se de doença crônica que exige cuidado contínuo por causa da ausência de cura e do retorno dos sintomas uma vez interrompido o tratamento.
A endometriose pode afetar a capacidade reprodutiva de várias maneiras. O processo inflamatório pélvico pode resultar em obstrução das trompas, interferir na ovulação, no transporte dos gametas (óvulo e espermatozoide) e na implantação do embrião no útero. Os estudos, todavia, ainda não estabeleceram o mecanismo exato pelo qual a endometriose provoca infertilidade.
Como não há consenso na literatura médica sobre o tratamento da infertilidade em mulheres com endometriose, a abordagem deve ser individualizada levando-se em conta a idade da mulher e o tempo de infertilidade, além da existência de outros cofatores. A avaliação por uma equipe especializada é fundamental para definir o melhor tratamento, entre:
Cirurgia (videolaparoscopia) para remoção das lesões;
Indução da ovulação e orientação de coito;
Indução da ovulação e inseminação intrauterina (IIU);
Fertilização in vitro (FIV).

Em que consiste a FIV?

Dra. Márcia: O termo fertilização in vitro (FIV) se refere apenas àqueles procedimentos de alta complexidade em que o processo de fertilização ocorre em laboratório. A FIV envolve basicamente a estimulação medicamentosa dos ovários para obtenção de óvulos, que a seguir são inseminados no laboratório e os embriões transferidos para o útero.

Como a Sra. avalia os avanços no combate à infertilidade nas últimas décadas?

Dra. Márcia: Os avanços são muitos e a medicina reprodutiva caminha a passos largos, permitindo a inúmeros casais, até então inférteis, a chance de ter seus próprios filhos.
Médicos e pesquisadores espalhados pelo mundo trabalham incansavelmente superando limites, proporcionando a realização de sonhos e a construção de famílias.

DESCUBRA SE O USO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS PODE ALTERAR SUA FERTILIDADE

Hoje em dia, com a variedade cada vez maior de métodos contraceptivos disponíveis tanto para homens quanto mulheres, as pessoas estão passando a maior parte de suas vidas reprodutivas evitando a reprodução.1 Mas você já parou para pensar se a escolha do método contraceptivo pode ter um efeito em sua fertilidade e capacidade futura de engravidar?2
A boa notícia é que são poucos os métodos contraceptivos que, após seu uso, influenciam negativamente na possibilidade de engravidar no futuro e isso raramente ocorre de maneira permanente.2 Na verdade, as vantagens desses métodos são em geral maiores do que os problemas que eles trazem, e alguns podem até melhorar indiretamente a fertilidade futura da mulher.2

A pílula anticoncepcional afeta a fertilidade da mulher?

É comum achar que o uso prolongado da pílula anticoncepcional pode causar dificuldade ou demora para engravidar, mas isso não passa de um mito.3 O método contraceptivo não só não afeta a fertilidade, como ajuda a preservá-la de certo modo ao reduzir os riscos de problemas que podem prejudicar a saúde reprodutiva.2,3

Durante o ciclo menstrual, as células do ovário reagem à liberação do óvulo, existindo a chance de ocorrer um erro que leve à formação do câncer.3 A pílula previne isso ao colocar os ovários “para dormir” por um tempo, já que não há ovulação.3 Assim, o método reduz as chances de câncer nos ovários em 50% e de câncer no útero em 80%.3

Além disso, a fertilidade retoma seu rumo normal assim que se para de tomar a pílula, então a ovulação recomeça dentro de algumas semanas.2,3 Estudos mostram que normalmente 70% das mulheres ovulam no primeiro ciclo menstrual após descontinuar o uso da pílula, e 98% até o terceiro ciclo.2 Então não precisa se preocupar, a pílula não causa perda permanente de fertilidade.2

Uma mulher que toma pílula anticoncepcional está “economizando óvulos”?

A pílula anticoncepcional não impede o consumo de óvulos, então, mesmo quem faz uso desse método, continua “perdendo” em torno de mil óvulos por mês.4 Por isso, as mulheres que tomam pílula atingem a menopausa com a mesma idade daquelas que não tomam.4 Assim, uma alternativa segura para quem quer preservar a fertilidade é o congelamento de óvulos.4
Se você quer saber mais sobre como preservar sua fertilidade, consulte um médico especialista no assunto, o chamado fertileuta. A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) disponibiliza aqui uma lista de profissionais perto de você!

E o DIU? Interfere na fertilidade da mulher?

Muitas pessoas acreditam que o dispositivo intrauterino (DIU) de cobre é um dispositivo capaz de comprometer o futuro reprodutor.5 Esse método tem como principal mecanismo de ação a produção de um ambiente intrauterino espermicida.5 Porém, após sua remoção, há uma restauração desse microambiente, de modo que não deve haver demora na concepção.5 Ao contrário do que se pensa, o DIU não está associado à infecção levando à infertilidade.5

É claro que existem complicações associadas a esse método, como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), mas elas podem ser evitadas através da seleção adequada de candidatas ao uso do DIU por médicos, do esclarecimento e conscientização sobre sua utilização correta e possíveis efeitos indesejáveis.5 Também é preciso tratar infecções preexistentes, inserir o dispositivo cuidadosamente e respeitar os métodos de assepsia.5 Ainda assim, se você tem dúvidas, o melhor a fazer é consultar o seu ginecologista e também o fertileuta, médico especializado em fertilidade.
Existe ainda uma mesma preocupação sobre o DIU hormonal, de que o método causaria maior risco de desenvolvimento de DIP e, consequentemente, infertilidade.6 No entanto, estudos têm mostrado que o uso de métodos intrauterinos não aumenta o risco de DIP.6

A injeção anticoncepcional afeta a fertilidade de maneira permanente?

Há ainda muitas mulheres que têm preocupações em relação ao retorno da fertilidade após pararem o uso de contraceptivos injetáveis devido ao seu efeito de longa ação.2 Mas podem ficar calmas que os injetáveis não têm impacto permanente na fertilidade, só é preciso esperar alguns meses para que as coisas voltem ao normal.2

Estudos mostram que, em média, a mulher volta a ovular normalmente dentro de 4 a 5 meses, com uma média de tempo de concepção de 5 a 7 meses.2 Também foi constatado que, dois anos após a última injeção, a fertilidade tende a se normalizar.2

Isso é algo que deve ser levado em conta para quem pensa em utilizar a injeção anticoncepcional, já que é recomendado o uso de um método alternativo caso a mulher queira engravidar antes disso.2 Se tiverem se passado dois anos e ainda exista dificuldade de engravidar, a mulher deve investigar outras possíveis causas de infertilidade.2 Vale lembrar que a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) disponibiliza uma lista de profissionais especializados no diagnóstico e tratamento da infertilidade.

Se os métodos contraceptivos não afetaram minha fertilidade, por que estou tendo dificuldades de engravidar?

É preciso ter em mente que sua fertilidade depende de muitos outros fatores que não têm nada a ver com anticoncepcionais, incluindo seu potencial reprodutivo preexistente e sua idade.2,4 Assim, na maioria dos casos de uso de métodos contraceptivos, você voltará a ser tão fértil como você seria se não tivesse usado esses métodos,3 levando em conta, é claro, o processo de envelhecimento e redução de fertilidade naturais.4
A idade é um dos fatores que mais afeta sua fertilidade.4 A marca dos 35 anos é importante pois, a partir dessa idade, há uma grande diminuição da quantidade e qualidade dos óvulos.4 Muitas pessoas que tomaram a pílula por muito tempo e que agora estão tendo dificuldade para engravidar aos 30 e poucos anos, acabam achando que deve ser por conta da pílula. O fato é que é mais difícil para qualquer mulher engravidar com mais de 30 anos do que com 20 e poucos anos.3 Uma maneira recomendada de preservar a fertilidade, caso decida adiar a maternidade, é o congelamento de óvulos ou embriões, clique para saber mais.4

Referências

  1. EMBO Reports. A right for family planning. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1084027/. Acesso em julho de 2018.
  2. OBGYN. Impact of contraception on subsequent fertility. Disponível em: https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1576/toag.2002.4.3.151. Acesso em julho de 2018.
  3. Time. What woman need to know about birth control. Disponível em: http://healthland.time.com/2009/08/26/what-women-need-to-know-about-birth-control/. Acesso em julho de 2018.
  4. Hospital Sírio Libanês. Ginecologista, Dr. Joji Ueno, responde principais dúvidas sobre preservação da fertilidade. Disponível em: https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/imprensa/noticias/Paginas/Ginecologista,-Dr.-Joji-Ueno,-responde-principais-d%C3%BAvidas-sobre-preserva%C3%A7%C3%A3o-da-fertilidade.aspx. Acesso em julho de 2018.
  5. UFMA. Dispositivo Intra-Uterino. Disponível em: http://www.pppg.ufma.br/cadernosdepesquisa/uploads/files/Artigo%202(15).pdf. Acesso em julho de 2018.
  6. FEMINA. Contracepção de longo prazo: dispositivo intrauterino (Mirena). Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2015/v43nsuppl1/a4851.pdf. Acesso em julho de 2018.

O QUE FAZER ENQUANTO O BEBÊ NÃO VEM?

A dificuldade em ter um bebê pode impactar negativamente na saúde mental e na vida como um todo de casais que apresentam o problema.1,2 Aspectos físicos, emocionais, sexuais, espirituais e financeiros são comumente afetados.2 Alguns sentem uma sensação de fracasso e acham estressante procurar ajuda profissional para um problema tão íntimo.1 Outros experimentam uma deterioração da autoestima, do desejo e do desempenho sexual.1,2 Isso tudo pode gerar ainda ansiedade e depressão.2 Porém, procurar ajuda médica especializada pode trazer conforto tanto aos casais que estão investigando as causas do problema, como aqueles que já estão em tratamento.1
Mas será que tem algo que você e seu parceiro podem fazer para aumentar as chances de uma gravidez com ou sem a fertilização in vitro?

O que se sabe é que é mais provável que a gravidez aconteça se você e seu parceiro estiverem bem de saúde. Portanto, algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar!3 Enquanto a tão sonhada gravidez não acontece, separamos algumas dicas para vocês se manterem firmes e fortes (além de muitos saudáveis) em busca deste sonho!

Gerencie o estresse do dia a dia

Converse com alguém de sua confiança, não reprima seus sentimentos como culpa ou a raiva. Vale buscar apoio com seu parceiro, família e amigos. Você também pode procurar a ajuda de um profissional, como um psicólogo.4

Mantenha um peso saudável

A obesidade pode diminuir as chances de uma mulher engravidar e ter um bebê, sabia?5,6 Por outro lado, vale lembrar que estar abaixo do peso e/ou fazer exercícios em excesso pode levar mulheres à disfunção ovariana e à infertilidade.7 Então, o jeito mesmo é manter um peso saudável!

Alimente-se com variedade

Uma dieta equilibrada e que forneça todos os nutrientes, vitaminas e minerais é essencial para o sucesso de uma gravidez!5 Saiba mais em a “dieta da fertilidade”: saiba como sua nutrição pode afetar suas chances de ter um bebê.

Durma bem!

Além de ajudar a controlar o estresse, um boa noite de sono pode melhorar as chances da fertilização in vitro dar certo, sabia?8


Largue o cigarro e não abuse de álcool

O uso destas substancias contribui para o aumento do risco de infertilidade.5,6,7



Tenha atenção aos medicamentos

Certos medicamentos também podem ser prejudicar uma tentativa de engravidar. Converse com seu fertileuta (médico especializado em fertilidade) sobre os medicamentos que você utiliza!5,6

Quando (e onde) procurar um especialista em fertilidade?

Se você suspeita que tem algum problema que afeta a sua fertilidade; ou se você e seu parceiro estão tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso; ou ainda se você é mulher, tem mais de 35 anos e tem tentado engravidar há mais 6 meses e ainda não engravidou, essa é uma boa uma hora de procurar ajuda especializada!9 O fertileuta é o médico especializado em fertilidade e o mais indicado para ajudar pessoas com problemas de fertilidade.

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) traz uma lista de especialistas aqui, encontre um perto de você!

Já estou em tratamento, mas meu bebê ainda não chegou...

Se você já está realizando algum tipo de tratamento de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), mas ainda não engravidou, a dica é ‘não desanime’! Você sabia que as chances de ter um bebê na primeira sessão de fertilização in vitro são de cerca de 30%?10 Por mais desanimador que esse dado possa parecer, a boa notícia é que uma pesquisa recente mostrou que as chances aumentam a cada tentativa (a cada novo ciclo da FIV), podendo chegar a 65% de mamães com bebês nascidos!10

Referências

  1. Tailor A. ABC of subfertility - Extent of the problem. BMJ 2003; 327:434. doi: 10.1136/bmj.327.7412.434
  2. Ezzell W. The Impact of Infertility on Women's Mental Health. North Carolina Medical Journal, 2016, 77 (6): 427-428. doi: 10.18043/ncm.77.6.427
  3. NHS. How can I increase my chances of getting pregnant? Disponível em: https://www.nhs.uk/common-health-questions/pregnancy/how-can-i-increase-my-chances-of-getting-pregnant/. Acesso em novembro de 2018.
  4. Mayo Clinic. Infertility – Diagnosis and treatment. Disponível em https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/infertility/diagnosis-treatment/drc-20354322. Acesso em novembro de 2018.
  5. Medical News Today. Infertility in men and women. Disponível em https://www.medicalnewstoday.com/articles/165748.php. Acesso em novembro de 2018.
  6. Mayo Clinic. In vitro fertilization. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/in-vitro-fertilization/about/pac-20384716. Acesso em novembro de 2018.
  7. NICHD. What lifestyle and environmental factors may be involved with infertility in females and males? Disponível em https://www.nichd.nih.gov/health/topics/infertility/conditioninfo/causes/lifestyle. Acesso em novembro de 2018.
  8. Parents. 9 Myths and Facts about Boosting IVF. Disponível em: https://www.parents.com/getting-pregnant/infertility/treatments/in-vitro-fertilization-infertility-myths-facts/?slideId=slide_0efccb9f-2e69-4f25-9fb3-09ef095864e3#slide_0efccb9f-2e69-4f25-9fb3-09ef095864e3. Acesso em novembro de 2018.
  9. NICHD. When should I consult a health care provider? Disponível em: https://www.nichd.nih.gov/health/topics/infertility/conditioninfo/consult. Acesso em novembro de 2018.
  10. Smith ADAC, Tilling K, Nelson SM, Lawlor DA. Live-birth rate associated with repeat in vitro fertilization treatment cycles. JAMA. 2015; 314(24):2654-2662. doi:10.1001/jama.2015.17296.

PREVENÇÃO DE DOENÇAS GENÉTICAS VIA FERTILIZAÇÃO IN VITRO

Você sabia que é possível evitar a transmissão de doenças geneticamente hereditárias e o aparecimento de doenças provenientes de anormalidades cromossômicas durante um tratamento de fertilização in vitro (FIV)?1,2

Pois é, com o avanço tecnológico na área da Reprodução Humana Assistida, atualmente já é possível verificar se existem alterações cromossômicas e genéticas em um embrião por meio de um tipo de teste
chamado Teste Genético Preimplantacional ou PGT (sigla que vem do inglês Preimplantational Genetics Diagnosis e que antes era conhecida como PGD).1-3 Este teste consiste em uma análise genética proveniente da biópsia nos embriões obtidos através da fertilização in vitro (FIV) antes que sejam implantados no útero da futura mamãe. Assim, o teste determina se o embrião é saudável, o que aumenta as taxas de sucesso na implantação e ainda reduz as chances de doenças de causas genéticas.1,2,4

Qual a diferença entre PGT-M e PGT-A e quando fazer este teste?

Durante o procedimento de fertilização in vitro, o PGT pode ser utilizados com dois diferentes propósitos, recebendo duas denominações diferentes:

PGT-M:

é utilizado para identificar a presença de uma mutação genética específica e é indicado para casais com histórico de doenças hereditárias na família. Entre as doenças que podem ser identificadas por este teste, estão a fibrose cística e a anemia falciforme.3,5

PGT-A:

é utilizado para diagnosticar anormalidades cromossômicas que normalmente estão associadas aos casos de abortos de repetição e à idade de mulheres acima de 35 anos.3,5 A Síndrome de Down é uma das doenças que pode ser diagnosticada por este teste.3
A boa notícia é que estudos têm demonstrado que o uso do PGT reduz em 95% o risco de transmissão dessas doenças genéticas e aumenta em até 70% as chances de gravidez para um casal que procura a fertilização in vitro.1

Já a regulamentação para realizar o teste genético varia de país para país.6 No Brasil a regulamentação não é específica e é realizada pelo Conselho Federal de Medicina. Aqui não é possível escolher o sexo do embrião que
será implantado, salvo em casos de doença ligadas ao sexo. Para outros fins médicos, como a prevenção de doenças genéticas, a técnica é permitida, inclusive para fins de transplante de células-tronco e órgãos.1,2,6

O profissional mais indicado para esclarecer dúvidas e recomendar a realização de uma FIV e do teste diagnóstico genético pré-implantacional é o fertileuta, médico especialista em fertilidade. O site da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) traz uma lista de contatos aqui, por cidade.

Referências

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  2. Pizzato BR, Pacheco CMR, Ferreira LS, Verzeletti FB. Revisão das técnicas de biologia molecular aplicadas no diagnóstico genético pré‐implantacional e uma reflexão ética. Reprodução & Climatério, v. 32, n. 1, p. 7-14, 2017. Disponível em http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1413208716300565
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